O ARTISTAPLÁSTICO
Conheci o Artistaplástico na praia. Ele, cara de underground dos 80's , de quem saiu de um texto do Caio Fernando Abreu. Eu, dezenove anos, quase vinte, acabando de dar adeus ao quartel, que tinha dado uma guaribada no meu corpinho magro, cabelo crescendo, descobrindo um mundo do qual sempre quis participar. Com ele fumei maconha pela primeira vez (só uma tragada), vi dois homens se beijarem, com ele quase deixei de passar a noite de natal com minha família. Estava com ele por que ele era um homem. Eu achava que ele era um homem, ele era uns seis anos mais velho que eu. Ele me levava em bares que eu nunca tinha entrado, mostrava fotos de ex-namorados nus, ouvia Laurie Anderson. Ele escrevia cartões, com letra bonita, escrevia a letra de Marina Lima, vem chegando o verão, e o meu verão vinha chegando mesmo, quente e erótico, como eu sempre quis que fosse. Aí o Artistaplástico foi lá em casa. Me entregou um convite para o vernissage dele. Que legal, eu disse, claro que vou. Eu era novo mas já sabia que vernissages podem ser constrangedores e o vinho é sempre ruim, então não fui. Depois de uma semana, eu fui na galeria. Perguntei onde ficava a exposição do Artistaplástico, uma senhora simpática me encaminhou para uma sala na penumbra e saiu dizendo que iria acender a luz. E a luz se fez. Eram quadros enormes, que contavam a nossa história. Ele usava "técnica mista", técnica mista era underground naquela época? Pintou pássaros com olhares apaixonados, aves que se entrelaçavam pelo pescoço, patinhos feios virando cisnes. Eu fiquei olhando tudo aquilo, sozinho na galeria, em silêncio, só ouvindo os estalos do piso de madeira antigo quando eu caminhava. O que era aquilo, era eu? Éramos "nós"? Era a primeira vez que eu me via através da percepção de uma outra pessoa. Eu era uma "musa-inspiradora-garota-de-ipanema"? Eu só queria ser a musa de mim mesmo, hedonismo explodindo, a inocência de não saber como meus atos podiam afetar outras pessoas. Nunca mais houve um verão como aquele. Nunca mais houve um Astronauta como aquele.





















Querido Anônimo, me sinto honrado em receber um currículo como o seu, com tantas qualidades. Fico enrubescido. Gostaria de esclarecer que este blog não retrata exatamente quem sou eu. Procuro manter um tom de piada, um clima leve (ou leviano), mas eu mesmo não sou assim. Sou um pouco mais denso (humm..) e profundo (ui!) do que possa parecer. Criei este blog pelo mesmo motivo que 90% dos gays o fazem: o fim de um relacionamento amoroso. Sempre gostei de repetir aquela máxima de que enquanto não aparece o homem certo, me divirto com os errados. O tempo passou, e eu descobri que me tornei um desses homens errados. Nesta semana tive a comprovação disso. Comparando suas caraterísticas com as minhas, vejo muitas diferenças, como por exemplo: sou mais velho, fumo uma carteira de carlton por dia, não sou pós-graduado nem tenho um peitoral trabalhado. Assim, acredito que com suas qualidades você não tenha dificuldades em encontrar caras interessantes e com atributos parecidos com os seus.

























